Deputado diz que quilombolas, índios e homossexuais são “tudo o que não presta” e incita a violência

Um vídeo gravado em audiência pública com produtores rurais, em Vicente Dutra (RS), registra discursos de deputados da bancada ruralista estimulando que agricultores usem de segurança armada para expulsar indígenas do que consideram ser suas terras.

“Nós, os parlamentares, não vamos incitar a guerra, mas lhes digo: se fartem de guerreiros e não deixem um vigarista desses dar um passo na sua propriedade. Nenhum! Nenhum! Usem todo o tipo de rede. Todo mundo tem telefone. Liguem um para o outro imediatamente. Reúnam verdadeiras multidões e expulsem do jeito que for necessário”, diz o deputado Alceu Moreira (PMDB-RS). “A própria baderna, a desordem, a guerra é melhor do que a injustiça”, defende.

Ele afirma que o movimento pela demarcação de terras indígenas seria uma "vigarice orquestrada” pelo ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Moreira diz também que tal movimento seria patrocinado pelo Ministério Público Federal, o qual, segundo ele, defenderia a “injustiça”.
No vídeo, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado federal Luís Carlos Heinze (PP-RS), diz que índios, quilombolas, gays e lésbicas são “tudo que não presta”.

“Quando o governo diz: ‘nós queremos crescimento, desenvolvimento. Tem de ter fumo, tem de ter soja, tem de ter boi, tem de ter leite, tem de ter tudo, produção’. Ok! Financiamento. Estão cumprimentando os produtores: R$ 150 bilhões de financiamento. Agora, eu quero dizer para vocês: o mesmo governo, seu Gilberto Carvalho, também é ministro da presidenta Dilma. É ali que estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas. Tudo o que não presta ali está aninhado”, discursa Heinze.

Ele também sugere a ação armada dos agricultores. “O que estão fazendo os produtores do Pará? No Pará, eles contrataram segurança privada. Ninguém invade no Pará, porque a brigada militar não lhes dá guarida lá e eles têm de fazer a defesa das suas propriedades”, diz o parlamentar. “Por isso, pessoal, só tem um jeito: se defendam. Façam a defesa como o Pará está fazendo. Façam a defesa como o Mato Grosso do Sul está fazendo. Os índios invadiram uma propriedade. Foram corridos da propriedade. Isso aconteceu lá”.

Veja os principais trechos do filme aqui: 



Promovida pelo também deputado ruralista Vilson Covatti (PP-RS), que pertence à Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara, a audiência pública aconteceu em novembro do ano passado e seu tema foi o conflito dos produtores rurais com os indígenas do povo Kaingang, que vivem na Terra Indígena Rio dos Índios, de 715 hectares.

Em dezembro do ano passado, produtores rurais do Mato Grosso do Sul organizaram um leilão para arrecadar recursos para a contratação de seguranças privados para impedir a ocupação de comunidades indígenas. O evento recolheu mais de R$ 640 mil e foi apoiado pela bancada ruralista. Parlamentares como a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), estiveram presentes e defenderam a iniciativa.

Créditos de Carbono – #Unidade 1 (Definições e Conceito do Tema: Mudanças Climática e Desenvolvimento sustentável)

O carbono é o elemento químico característico dos compostos orgânicos e só faz partes deles, pois passa continuamente da natureza aos corpos orgânicos, e dos seres vivos à natureza. É encontrado na atmosfera na forma de gás, oriundo da respiração dos seres vivos, circulando em um processo conhecido como “ciclo do carbono”.

ORIGEM E DESTINO DO CARBONO RESULTANTE DAS ATIVIDADES DOS SERES VIVOS

Esse ciclo consiste, basicamente, na fixação dos átomos contidos nas moléculas simples de gás carbônico presentes na atmosfera (CO2), em substâncias mais elaboradas, como carboidratos e proteínas, através da fotossíntese realizada pelos seres autotróficos.

Como resultado do processo fotossintético, uma parte dos compostos orgânicos formados é aproveitada para o metabolismo dos vegetais e o restante serve como fonte de nutrientes para os herbívoros, onívoros, carnívoros, até os decompositores responsáveis pela degradação ou reincorporarão da matéria orgânica à natureza.

Um esquema simplificado do ciclo do carbono pode ser resumido assim:


Agora feche os olhos e imagine quantos seres vivos estão à sua volta, comendo, fazendo fotossíntese, morrendo, sendo decompostos, e perceba que esse é um processo muito complexo e dinâmico. Lembre-se também que a devolução de carbono ocorre de maneira contínua durante a vida de todos os seres vivos através da respiração.

Dentre os seres vivos, que comem, respiram e morrem, estamos nós, que utilizamos combustíveis como o carvão mineral e o petróleo, para a realização de diversas atividades do nosso dia a dia e que colaboram consideravelmente com a emissão de gás carbônico no ambiente.

Pode parecer, a primeira vista, que o gás carbônico está presente apenas na atmosfera, mas os oceanos também são grandes reservatórios desse gás e estão em constante troca com a atmosfera liberando e absorvendo CO2. Durante muitos anos os níveis de CO2 permaneceram estáveis, mas com a Revolução Industrial, iniciada no século XIX, novos hábitos provocaram mudanças no ciclo do carbono, quando a
industrialização determinou o aumento nos níveis de consumo e no lançamento de dióxido de carbono na atmosfera.

O gás carbônico é um dos principais poluentes do ar que respiramos resultante da queima de combustível, do carvão e das queimadas nas florestas. Podemos considerar que indústrias, veículos automotores e usinas de eletricidade que utilizam combustível são, portanto, os grandes poluidores da atmosfera, pois além de gerar gás carbônico, seus processos produtivos consomem oxigênio, piorando ainda mais a situação. Mas não podemos esquecer que os animais e as plantas também expelem gás carbônico através da respiração.

O MERCADO DO CARBONO

Uma vez compreendidos o efeito estufa e o Protocolo de Kyoto, podemos entender melhor a ideia de se criar um sistema que tem como principal objetivo compensar a emissão de gases que produzem o efeito estufa. Este sistema foi concebido através de um programa que desperta nos países a vontade política de rever os seus processos econômicos para a redução do aquecimento global.

Na verdade o mercado de carbono se baseia em um critério chamado adicionalidade, que prevê que qualquer projeto econômico deverá absorver dióxido de carbono da atmosfera através de reflorestamentos ou evitar o lançamento de gases do efeito estufa buscando a eficiência energética.

Para esse fim foi criado um certificado, emitido por agências de proteção ambiental, que atesta a redução na emissão de gases do efeito estufa. Essa redução representa um crédito e a quantidade desses créditos, chamados créditos de carbono, varia de acordo com a quantidade de emissão de carbono reduzida pela parte interssada. Por convenção uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) equivale a um crédito de carbono.
Outros gases que contribuem para o efeito estufa também podem ser convertidos em créditos de carbono, e para isso se utiliza o conceito de carbono equivalente.

O certificado referente aos créditos de carbono possui valor no mercado financeiro internacional, onde a redução de gases do efeito estufa passa a ter um valor monetário para conter a poluição. Muitas ações podem ser realizadas para a obtenção desse certificado, como o reflorestamento de áreas degradadas, a redução das emissões de gases resultantes da queima de combustíveis fósseis, a utilização de energia limpa e renovável, como eólica, solar, biomassa, o aproveitamento para a produção de energia, das emissões que seriam lançadas na atmosfera, como o metano proveniente de aterros sanitários, dentre outras práticas.

Quando os países ou suas indústrias ultrapassam as metas estabelecidas em Kyoto, precisam comprar certificados de crédito de carbono disponíveis no mercado. Da mesma forma, quando conseguem reduzir suas emissões podem negociar o excedente nas Bolsas de Valores com países ou indústrias que estejam precisando de créditos.

Algumas pessoas criticam esses certificados, pois consideram que eles estimulam países e indústrias a poluir, mas a intenção para a criação desse certificado é organizar critérios para neutralizar a emissão de gases poluentes. Além disso, o programa tem como principal objetivo a diminuição das emissões por parte de países desenvolvidos, considerados mais poluidores, e o estímulo aos países em desenvolvimento para que cuidem melhor de suas florestas, mesmo que por estímulo financeiro.

Mesmo com a possibilidade de lucrar com os créditos de carbono, algumas empresas continuam a destruir as florestas, talvez por desconhecimento e ignorância, ou por não acreditarem que vale a pena investir em um mundo melhor, esquecendo que as consequências poderão ser bastante amargas para todos. Infelizmente em muitos países os governos são omissos e continuam permitindo ações que ignoram todos os sinais de perigo dados pela natureza contra a vida no planeta. Pelo menos duas atitudes deveriam ser prontamente adotadas por todos os governos do mundo: a diminuição em percentuais das emissões de gases poluentes provenientes das indústrias e dos transportes, e ações eficazes e enérgicas contra o desmatamento descontrolado das florestas.

Por tudo que foi considerado aqui, a criação dos créditos de carbono tem papel relevante na conscientização dos países, em suas diversas realidades, mas não será suficiente se não houver o envolvimento de todos os participantes dessa discussão. É fundamental que se envolvam governantes, empresários, cientistas, estudantes, professores, pais, profissionais de todas as áreas do conhecimento, enfim, uma sociedade que seja capaz de discutir como mudar o rumo dessa estória.

PROTOCOLO DE KYOTO - #Unidade 1 (Definições e Conceito do Tema: Mudanças Climática e Desenvolvimento sustentável)

O Protocolo de Kyoto pode ser considerado uma das mais importantes iniciativas para reverter os danos ambientais provocados pelo aquecimento global. Na verdade, trata-se de um documento que orienta os países industrializados com relação a redução da emissão de gases, para que seja possível um planeta digno para as gerações futuras.

O Protocolo de Kyoto é consequência da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, também conhecida como ECO-92, que ocorreu no Rio de Janeiro, e que tinha por objetivo a estabilização das concentrações de gases estufa na atmosfera. Com relação à ECO-92, poucas mudanças foram observadas quanto ao comportamento dos países que participaram do acordo, uma vez que continuaram a poluir o ambiente com suas atividades sempre voltadas ao desenvolvimento econômico desenfreado.

Sendo assim, em 1997, novo encontro reuniu representantes de 159 países, na terceira Conferência das Partes (COP 3), em Kyoto, no Japão, e resultou na aprovação de um documento conhecido com Protocolo de Kyoto que deveria ser aprovado e ratificado pelas autoridades locais. O problema é que a diminuição da emissão de gases não é coisa fácil de conseguir e mexe (e muito) com a economia dos países. É preciso influir na agricultura, na queima de combustíveis e, ainda, é necessário que os países reformulem sua política industrial, buscando formas limpas de produção de energia.

O conteúdo do documento gerou em pouco tempo, reações bastante adversas de alguns países. A mais forte veio justamente do maior poluidor, os Estados Unidos (EUA), que respondem por 25% do total de emissão de carbono no mundo. Depois de ter anunciado que não iria participar dos compromissos definidos pelo Protocolo de Kyoto, o presidente americano viu-se em uma situação bastante desconfortável, cercado de críticas que o tachavam de vilão da natureza.

Para amenizar essa situação, os EUA lançaram um programa alternativo de redução de emissão de gases poluentes. O programa americano se baseia no controle voluntário por parte da indústria, com a motivação através de incentivos fiscais. Essa decisão irritou os ambientalistas e desagradou aos outros líderes de nações desenvolvidas que aderiram ao Protocolo de Kyoto.

É importante destacar que para que o Protocolo entrasse em vigor, seria necessário que fosse ratificado por 55 países que representassem, juntos, pelo menos 55% das emissões de gases. Junto com os EUA, reagiram ao acordo o Canadá e a Austrália.

MAS DO QUE TRATA ESSE DOCUMENTO?

Segundo esse Protocolo, os países industrializados assumem o compromisso de reduzir as emissões de gases estufa no período de 2008 a 2012, em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990. Tal atitude representa uma mudança representativa das emissões de gases iniciadas pela Revolução Industrial.

Após a COP3, o Protocolo foi aberto para assinaturas em 11 de dezembro de 1997 e ratificado em 15 de março de 1999. Mas como foi comentado anteriormente, seria necessário que 55% dos países desenvolvidos aderissem ao acordo, e dessa forma, somente entrou em vigor em 2005, depois que a Rússia também aceitou participar.

No momento que o Protocolo de Kyoto entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005 passou a ser um compromisso legal vinculando todas as partes envolvidas, no caso dos países signatários, e o não cumprimento de alguma parte estará sujeita a penalidades dentro do Protocolo.

Segundo o documento, fica estabelecido um calendário pelo qual os países participantes assumem a obrigação de reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa em, pelo menos, 5,2% em relação aos níveis de 1990, entre 2008 e 2012, denominado de primeiro período de compromisso.


Mas as metas previstas pelo Protocolo não sâo iguais para todos os países, pois estabelecem níveis diferenciados para 38 países que mais poluem, como por exemplo, 8% para a União Europeia (UE), 7% para os Estados Unidos (EUA) e 6% para o Japão, como demonstra o gráfico. Já países como o Brasil, o México, a Argentina e Índia não precisam atingir metas de redução, pelo menos momentaneamente, uma vez que se encontram em processo de desenvolvimento.

QUADRO GERAL DE EMISSÕES MUNDIAIS DE CO2


Dentre as ações previstas para a redução das emissões de gases estão:

• A reforma para o aumento da eficiência enérgética em diversos setores da economia.
• A limitação e/ou redução de emissões de metano por meio de sua recuperação e utilização no tratamento de resíduos, bem como na produção, no transporte e na distribuição de energia.
• O incentivo à pesquisas relacinadas a tecnologias inovadoras e ambientalmente seguras.
• A promoção do uso de fontes renováveis de energia.
• A diminuição gradual ou eliminação de incentivos fiscais, isenções tributárias e tarifárias, e também de subsídios para todos os setores emissores de gases de efeito estufa que sejam contrários ao objetivo do Protocolo.
• O estabelecimeto de um limite para as emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos.
• O incentivo às práticas sustentáveis para a utilização das florestas e a proteção de matas e outros reservatórios de carbono.
• Promoção de formas sustentáveis de manejo da terra.

Caso o Protocolo de Kyoto seja implementado com sucesso, estima-se que uma redução da temperatura entre 1,4° C e 5,8° C, ocorra até 2100. Entretanto, para que isso aconteça muitas negociações após 2012 deverão acontecer, pois cientistas afirmam que uma redução de 5% em relação aos níveis de 1990 é insuficiente para a mitigação do aquecimento global.

A maioria dos pesquisadores que estuda o clima concorda que as metas estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto são insuficientes para conter o problema. É praticamente um consenso entre muitos especialistas que seria necessário uma redução de 60% e não 5% como estabelece o Protocolo para evitar as piores consequências das mudanças climáticas.

Já os defensores do acordo dizem que o tratado foi responsável pelo estabelecimento de leis, em diversos países, voltadas a redução da emissão de gases e que, se não fosse pelo acordo firmado em Kyoto, as dificuldades para implementar medidas ecológicas seriam ainda maiores.

E como fica o Brasil nessa estória? O Protocolo de Kyoto considera que os países em desenvolvimento, como o Brasil, a China e a Índia, são os que menos contribuem para as mudanças climáticas, mas que apesar disso, tendem a sofrer as maiores consequências.

Dessa forma, assim como outros países em desenvolvimento que aderiram ao Protocolo, o Brasil não teve que se comprometer com metas específicas, mas precisa manter a ONU informada a respeito de suas emissões, buscando sempre o desenvolvimento de estratégias que busquem o desenvolvimento econômico responsável.

Mostra a reflexão sobre a poluição que o ser humano joga na natureza


COP 15 #Unidade 1 (Definições e Conceito do Tema: Mudanças Climática e Desenvolvimento sustentável)

COP 15 #Unidade 1 (Definições e Conceito do Tema: Mudanças Climática e Desenvolvimento sustentável)

Para discutir os assuntos relacionados às mudanças climáticas existem desde 1995, conferências nas quais representantes dos países participantes da Convenção – Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas se reúnem anualmente para tomar decisões, no âmbito da ONU, sobre os problemas relacionados ao aquecimento global.

O último encontro foi 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, conhecida como COP15, realizada no mês de dezembro de 2009 em Copenhague, na Dinamarca. Esta conferência representou um momento importante para a prevenção de desastres climáticos, pois reuniu líderes de todo o mundo e pretendia definir o comportamento dos países para a diminuição do aquecimento global.

Apesar de não ter atingido o objetivo de estabelecer novas metas ou compromissos de longo prazo para a redução das emissões de gases de efeito estufa, a COP15 foi muito importante, pois abriu portas para alguns países participantes acertarem suas estratégias. Um dos resultados mais relevantes foi que pela primeira vez as grandes economias emergentes começaram a assumir responsabilidades para limitar o aumento de gases de efeito estufa.

Apesar de pontos positivos, o encontro também foi palco de discordâncias representadas pela acusação por parte da China e de outros países em desenvolvimento de que os países ricos se recusaram a realizar cortes significativos nas emissões de gases causadores do efeito estufa, e não ofereceram ajuda a economias menores para lutar contra as mudanças climáticas.

Segundo especialistas, para atingir os objetivos traçados, os países precisam investir em eficiência energética, buscando soluções que reduzam o consumo de energia; substituir combustíveis fósseis por fontes energéticas alternativas; e investir em novas tecnologias. Existem estimativas que serão necessários aproximadamente US$30 bilhões, no ano de 2010, para que os compromissos firmados pelos países em desenvolvimento na redução da emissão de gases sejam atingidos. Até 2020, este valor deverá atingir US$120 bilhões.

Após o evento a cúpula terminou sem um acordo com valor legal ou obrigatório, com os países participantes apenas reconhecendo a necessidade de que o aumento na temperatura global não ultrapasse os 2º C, mas não foi capaz de estabelecer valores para a redução na emissão dos gases que provocam o efeito estufa.

Embora as metas não tenham sido estabelecidas legalmente, sabe-se que para diminuir a emissão de gases de efeito estufa, faz-se necessário adotar alterações profundas no modelo de desenvolvimento econômico e social, através de medidas que possibilitem a estabilização da concentração global de carbono até 2017, quando os níveis deverão começar diminuir para que possam chegar a ser 80% menores que na década de 1990.


Atualmente, 192 países participam das negociações e a COP16 acontecerá no México, entre 29 de novembro e 10 de dezembro de 2010, visando incrementar o Acordo de Copenhague, que busca limitar o aumento das temperaturas a não mais que 2º C em relação às registradas nos tempos pré-industriais. Espera-se que esse novo encontro represente uma possibilidade mais concreta para mudar o cenário atual.

Efeito Estufa - #Unidade 1 (Definições e Conceito do Tema: Mudanças Climática e Desenvolvimento sustentável)

DEFINIÇÃO

A designação efeito estufa se refere ao mecanismo atmosférico natural que mantém o planeta aquecido, com temperaturas ideais para a existência de vida na Terra. Embora esse assunto esteja bastante presente nas discussões científicas atuais, trata-se de um fenômeno atmosférico que acompanha a vida do planeta desde o início da sua existência. Atualmente, costuma-se associar o efeito estufa ao aquecimento da Terra devido à poluição do ar pela concentração de gás carbônico na atmosfera proveniente da queima exagerada de combustíveis fósseis.

COMO FUNCIONA O EFEITO ESTUFA

Sabemos que a Terra é iluminada pelo Sol e que a vida existente aqui depende da energia luminosa irradiada por ele. Quando os raios solares atingem a superfície terrestre parte deles é absorvida pelas plantas para a realização da fotossíntese e a outra parte é refletida pela superfície terrestre em direção ao espaço. Porém devido à existência de uma camada de gases atmosféricos, grande parte do calor fica retida e não consegue sair.

O efeito estufa faz parte da dinâmica do planeta e, graças a ele, a Terra é mais quente do que o espaço, atingindo temperaturas ideais para a existência de vida. Se não houvesse essa proteção, os raios solares seriam refletidos para o espaço, o planeta perderia calor, e dessa forma, a Terra ficaria submetida a temperaturas inferiores a 10º C negativos.

Planetas como Vênus e Marte não possuem esse mecanismo e por isso podem atingir diferenças extremas onde as temperaturas são elevadas durante o dia, acima de 200º C, e muito reduzidas durante a noite, chegando a -100º C.

O processo de aquecimento conhecido como efeito estufa ocorre quando parte da radiação solar refletida pela superfície terrestre é absorvida por determinados gases presentes na atmosfera - ozônio, oxigênio e os componentes minoritários dióxido de carbono (CO2) e gás metano (CH4) e outros. É esse mecanismo que possibilita que o calor que a Terra recebe durante o dia mantenha a temperatura elevada mesmo durante a noite.

Funciona da seguinte forma: parte do calor irradiado pelo Sol é devolvida ao espaço, porém, uma porção desse calor fica presa na atmosfera graças aos gases estufa (GEE) e é responsável por manter o planeta aquecido. O problema é que o excesso dos chamados gases estufa intensifica esse fenômeno e faz com que mais calor que o necessário seja retido na superfície do planeta provocando o aquecimento global.

Em uma estufa de vidro cuja finalidade é manter o ambiente interno aquecido, o mecanismo é muito simples: a luz solar atravessa o vidro e é absorvida. O vidro reflete grande parte dessa radiação, mas uma quantidade penetra no interior da estufa.
Pelas leis da física, todo corpo que absorve energia radiante também a irradia de volta e isso acaba levando ao resfriamento bastante rápido do objeto irradiado. Porém, nessa situação quando as ondas de calor penetram na estufa e são irradiadas de volta encontram o vidro que as reflete para dentro novamente, aquecendo o ambiente interno. Se isso não acontecesse, o interior esfriaria.

Se imaginarmos que a Terra é uma enorme estufa iremos compreender que as ondas de calor irradiadas pela superfície terrestre encontram os gases de efeito estufa, os quais assim como o vidro, funcionam como uma barreira que as refletem de volta, aquecendo a atmosfera.

Apesar de muito comentado como sendo um enorme problema ambiental o efeito estufa é necessário para a existência da vida – o problema é que, quando ocorre em excesso, provoca um aumento de temperatura acima do normal, o que acaba por ocasionar enormes desequilíbrios ambientais.

Hoje em dia, sabe-se que não somente os gases estufa provocam esse efeito. A fuligem da fumaça também contribui para intensificar esse mecanismo. A fuligem proveniente da queima de combustíveis provoca o sombreamento da superfície e esquenta a atmosfera, além disso, modifica a formação das nuvens, o que muda o equilíbrio térmico do planeta.

QUAIS OS GASES RESPONSÁVEIS PELO EFEITO ESTUFA?

Dióxido de Carbono (CO2): Proveniente da combustão de combustíveis fósseis como petróleo, gás natural, carvão, desmatamento é responsável por cerca de 64% do efeito estufa. Diariamente são enviados cerca de 6 milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera e seu tempo de permanência na atmosfera é de 50 a 200 anos.

Clorofluorcarbono (CFC): Utilizados em sprays, motores de aviões, plásticos e solventes utilizados na indústria eletrônica. Responsável direto pela destruição da camada de ozônio, além de contribuir com cerca de 10% do efeito estufa. O tempo de permanência na atmosfera é de 50 a 1700 anos.

Metano (CH4): Produzido nos campos de arroz, liberado pelo metabolismo do gado e pelo lixo. É responsável por quase 20% do efeito estufa. Tem um tempo de duração de 15 anos.

Ácido nítrico (HNO3): Proveniente da combustão da madeira e de combustíveis fósseis, pela decomposição de fertilizantes químicos e por micróbios, é responsável por cerca de 6% do efeito estufa.

Ozônio (O3): Origina-se da poluição dos solos provocada pelas fábricas, refinarias de petróleo e veículos automóveis.

A concentração de CO2 na atmosfera começou a aumentar a partir da revolução industrial devido à necessidade de queimar grandes quantidades de carvão mineral e petróleo como fontes de energia para a produção de produtos industrializados. A partir desse momento houve um aumento de aproximadamente 30% do CO2 atmosférico, o que implica em mais calor retido pela superfície terrestre e, consequentemente, a elevação da temperatura do planeta.

O gráfico abaixo demonstra que a concentração de CO2 na atmosfera até 2100 pode alcançar valores que variam entre 540 a 970 ppm – entre 90% e 250% acima do nível existente em 1750. Essa é uma previsão preocupante para os habitantes do planeta, pois se os níveis de CO2 não forem mantidos entre 350 e 400 ppm, haverá um aumento da temperatura global acima de 2° C, o que irá determinar mudanças bastante perigosas no clima.


Fonte: Imagem extraída da publicação Perguntas e Respostas sobre Aquecimento Global, elaborada pelo IPAN em parceria com The Woods Hole Research Center

O carbono é um elemento básico na composição dos organismos, e por isso, indispensável para a vida no planeta. Ele é estocado na atmosfera, nos oceanos, nos solos, nas rochas sedimentares e nos combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural. O carbono não permanece fixo em nenhum desses estoques e várias interações acontecem para que o carbono seja transferido de um depósito para outro.

Existem diversos organismos nos ecossistemas terrestres e aquáticos, que absorvem o carbono encontrado na atmosfera na forma de dióxido de carbono (CO2), funcionando como filtros que retiram da atmosfera mais carbono do que emitem. Existem as queimadas e desmatamentos, resultantes do mau uso da terra e são essas atividades que acabam por alterar os fluxos naturais entre os estoques de carbono e têm um papel fundamental na mudança do clima do planeta.

Estima-se que os níveis de CO2 no Brasil estão relacionados à destruição das florestas, pois 3/4 das emissões de carbono vem de atividades de uso do solo, tais como o desmatamento e as queimadas. Ao contrário, as emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis são menores em relação a outros países, pois o Brasil utiliza fontes de energia renováveis como a energia hidrelétrica.


Somente devido ao desmatamento da região Amazônica, nosso País emite por ano, cerca de 200 milhões de toneladas de carbono, o que coloca o Brasil entre os cinco países mais poluidores do mundo, representando aproximadamente de 5% das emissões globais.

Entre as fontes de outros gases de efeito estufa podemos citar os fertilizantes utilizados na agricultura, que liberam óxido nitroso (N2O), a produção e o transporte de gás e petróleo, os arrozais, os processos digestivos de ruminantes, que emitem metano (CH4), e os condicionadores de ar e refrigeradores que emitem halocarbonos.


Os cenários de emissões são uma representação do desenvolvimento futuro das emissões de substâncias que potencialmente são capazes de interferir na radiação solar – por exemplo, gases de efeito estufa e aerossóis. Essas representações são baseadas em um conjunto coerente e internamente consistente de hipóteses relativas aos diversos agentes antrópicos (tais como demografia, desenvolvimento socioeconômico, mudança tecnológica) e suas interligações. Cenários de concentração de emissões são utilizados como subsidios para modelos climáticos a fim de viabilizar para fazer projeções sobre possíveis aumentos das mudanças em curso.

O Sistema Climático da Terra - #Unidade 1 (Definições e Conceito do Tema: Mudanças Climática e Desenvolvimento sustentável)

O clima terrestre é regulado, mais especificamente, por elementos e processos que envolvem o fluxo de radiação solar, a atmosfera e a superfície terrestre. São cinco os componentes principais:

Atmosfera: consiste em uma camada de ar que envolve o planeta, dividida em sete faixas. A ciência que estuda o clima estuda as interações entre as duas camadas mais próximas da Terra: a troposfera e a estratosfera, essenciais para as trocas de energia entre as diferentes massas de ar e as nuvens e entre a hidrosfera, a biosfera e a litosfera. Constitui o elemento fluido dessas trocas, com formação de ventos, tempestades, ciclones e furacões.

Hidrosfera: compreende as águas oceânicas e continentais.

Criosfera: corresponde às camadas de gelo e de neve na superfície da Terra.

Superfície terrestre e biosfera: superfície da litosfera (crosta terrestre) onde se encontram os seres vivos e não vivos.

O quinto elemento importante na regulação do clima terrestre é a radiação solar, e todos os fatores mencionados se encontram influenciados por ela. As diversas atividades e as trocas gasosas características dos ecossistemas terrestres e oceânicos têm forte interação com a atmosfera. Elas influenciam a formação de chuvas fundamentais à produção da água potável existente na terra. Nesse contexto, o brilho do Sol é o maior responsável por regular os processos que determinam a existência da vida na Terra.

O clima se modifica sob a influência de três fatores centrais:

• Sua própria dinâmica interna.
• As forças externas naturais como erupções vulcânicas e variações solares.
• Os fatores relacionados às atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento.

OS TIPOS DE CLIMA

No nosso planeta existe uma grande diversidade de climas característicos de diferentes regiões. Dentre os tipos de clima existentes, os principais são:
·         Equatorial: Temperatura média 25° C, caracterizado por períodos quentes e chuvosos durante quase todo o ano.
·         Tropical: Temperaturas variáveis. No inverno apresenta temperaturas médias superiores a 20° C, com períodos de seca. No verão, as temperaturas médias são superiores a 25° C, com período de chuvas abundantes.
·         Subtropical: Temperaturas variáveis. No verão apresenta temperaturas entre 15 e 20° C e no inverno as temperaturas variam entre 0 e 10° C.
·         Desértico: Temperaturas médias entre 20° C e 30° C, com clima seco.
·         Temperado: Apresenta estações do ano bem definidas, podendo ocorrer alteração em regiões próximas aos oceanos e mares, onde o inverno é menos rigoroso e o verão mais ameno.
·         Mediterrâneo: Temperaturas médias superiores a 25° C, com verão quente e seco e inverno chuvoso.
·         Frio: Temperaturas médias negativas, com inverno longo e rigoroso e verão curto e ameno.
·         De Montanha: Temperatura variável: quanto maior a altitude menor é a temperatura. Mesmo em regiões tropicais, o clima de montanha é predominante nesse relevo.
·         Polar: Temperaturas abaixo de zero. O inverno é longo, o verão muito seco e curto.
·         Semiárido: Temperaturas elevadas associadas à baixa umidade atmosférica.

O QUE MUDOU NO CLIMA DO MUNDO?

Para uma melhor compreensão das mudanças climáticas no planeta, várias observações experimentais são realizadas por especialistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Para uma melhor compreensão dos fenômenos climáticos, parâmetros como temperatura média, precipitação pluvial, cobertura de neve, nível do mar, dentre outros, são analisados detalhadamente e as conclusões indicam que o clima de nosso planeta está efetivamente sendo alterado.

Sabe-se, por exemplo, que a temperatura média global aumentou em relação a 1850 e em algumas regiões como o Ártico, observa-se um aquecimento da ordem de 2° C. Os estudos demonstram ainda que nos últimos 14 anos, foram observados os 12 anos mais quentes da história.

Como tudo está interligado na natureza, o aumento de temperatura tem provocado a elevação do nível do mar, o derretimento de geleiras da Antártica, do Ártico e da Groenlândia e a diminuição significativa da cobertura de neve no hemisfério Norte.

Pode-se notar algumas dessas alterações climáticas, no período de 1850 a 2005, quando se registra um aumento de 0,76° C na temperatura média terrestre; uma elevação de 160 mm no nível médio do mar e uma redução de 1,8 milhão de km² na cobertura de neve no hemisfério Norte.
Confirmando ainda mais o quadro de mudanças no clima global, cientistas identificaram elevações nos níveis de vapor de água na atmosfera, na precipitação pluvial em regiões temperadas, na intensidade de furacões e na frequência e intensidade de períodos de seca no continente africano e de ondas de calor em regiões temperadas.

Alguns estudos atentam também para a responsabilidade da sociedade, uma vez que os riscos relacionados às alterações climáticas são o resultado de processos físicos, mas também consequência de ações e decisões humanas interligadas pelo mundo. Quando pessoas exageram no uso de condicionadores de ar ou dirigem seus carros solitariamente, essas ações têm consequências que afetam regiões distantes como comunidades rurais, áreas de risco, através de problemas ambientais que resultam em muitos prejuízos econômicos e sociais.

O IPCC estima que até o fim deste século a temperatura da Terra deve subir entre 1,8° C e 4° C e caso as previsões sejam confirmadas muitas espécies poderão entrar em extinção, e como consequência, pode vir a acontecer grandes mudanças na dinâmica dos ecossistemas e na distribuição das espécies.

Consequências muito negativas para a vida como a diminuição da oferta de água e alimento, a acidificação dos oceanos, são exemplos de impactos negativos para espécies que habitam os mais variados ambientes do globo. O cultivo de alimentos também poderá ser afetado o que aumentará o risco de fome para muitas populações e há ainda o risco na distribuição e produção de determinadas espécies de peixes, com efeitos negativos para a aquicultura e os criatórios de peixes.

As mudanças climáticas também podem afetar a saúde das pessoas e conforme Organização Mundial de Saúde (OMS), estudos demonstram que a exposição às mudanças climáticas traz consequências à saúde de milhões de pessoas, principalmente às populações com baixa capacidade de adaptação.

Dentre os problemas estão o aumento da subnutrição e de disfunções consequentes, com implicações no crescimento e desenvolvimento infantil; a elevação da taxa de mortalidade; o aparecimento de problemas de pele em virtude do calor; o surgimento de doenças como malária, cólera e tuberculose, diarreia; o aumento da frequência de doenças cardiorrespiratórias devido às concentrações mais elevadas de ozônio no nível do solo; alterações na distribuição espacial de vetores de doenças infecciosas e problemas relacionados à saúde mental.


É importante ressaltar que os impactos na saúde variam de região para região e em função do tempo, à medida que as temperaturas continuarem subindo.

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Horta urbana suspensa na vertical


MONITORAMENTO DA QUALIDADE DE FIBRA E FIO DO ALGODÃO AGROECOLÓGICO NO SEMIÁRIDO

Publicado em: CONGRESSO BRASILEIRO DO ALGODÃO, 7., 2009, Foz do Iguaçu. Sustentabilidade da cotonicultura Brasileira e Expansão dos Mercados: Anais... Campina grande: Embrapa Algodão, 2009. p. 2205-2210.

MONITORAMENTO DA QUALIDADE DE FIBRA E FIO DO ALGODÃO AGROECOLÓGICO NO SEMIÁRIDO


Rodolfo Assis de Oliveira (UFPB, rodolfooliveira2000@yahoo.com.br)
Melchior Naelson Batista da Silva (Embrapa Algodão – Orientador)
Maurício José Rivero Wanderley (EMBRAPA)
Hesteólivia Shyrlley Ferreira Vasconcelos Ramos (Diaconia)
Roberto Sousa Nascimento (UFPB, roberto.uni@gmail.com)


RESUMO - O algodão agroecológico produzido no Semiárido é cultivado em sistemas consorciados com culturas alimentares e forrageiras, em pequenas propriedades rurais, empregando-se mão-de-obra familiar e colheita manual. O objetivo deste trabalho foi monitorar as características tecnológicas das fibras e fio do algodão agroecológico, produzidas por agricultores familiares, no ano agrícola de 2008. Foram colhidos 20 capulhos no terço médio das plantas nos roçados dos agricultores das regiões de Triunfo-PE, Pajeú-PE, Oeste Potiguar-RN e Curimataú-PB e feito análises de HVI (High Volume Instruments) no Laboratório de Fibras e Fios da Embrapa Algodão. Os resultados de percentagem de fibras do algodão e da maioria das características de fibra e fio foram superiores no algodoeiro cultivado no Curimataú-PB. No entanto, em todas as regiões estudadas, o algodão produzido atende as exigências da indústria têxtil nacional e internacional.

Palavras-chave: Fibras, Algodão Orgânico, Semiárido


 INTRODUÇÃO
O algodão agroecológico produzido no Semiárido é cultivado em sistemas consorciados com culturas alimentares e forrageiras, em pequenas propriedades rurais, empregando-se mão-de-obra familiar e colheita manual. O produto é comercializado no mercado orgânico e agroecológico desde a safra 1993/94, quando o país figurou nas estatísticas de países produtores de algodão orgânico (LIMA, 1995).

A cotonicultura orgânica é uma importante alternativa para incrementar a renda de agricultores familiares. Várias regiões do Nordeste brasileiro vêm apostando na cultura, que em 2008, atingiu uma produção de 85 toneladas, de algodão em rama, envolvendo mais de 500 famílias incentivadas pelos preços pagos pela pluma, pelas novas práticas de manejo sustentável desses cultivos e pelo comercio justo (LIMA, 2008).

Alguns trabalhos de pesquisa relatam a pouca influência do manejo orgânico sobre as qualidades da fibra e fio (SILVA., 2003; SILVA et al., 2005). No entanto, inexistem dados sobre a influência do manejo agroecológico e tipo de colheita realizada sobre essas características em áreas de produção.

O objetivo deste trabalho foi monitorar as características tecnológicas das fibras e fio do algodão agroecológico CNPA 7MH e CNPA 8H, produzido por agricultores familiares das regiões de Triunfo (PE), Pajeú (PE), Oeste Potiguar (RN) e Curimataú (PB), respectivamente no ano agrícola de 2008.
MATERIAL E MÉTODOS

Foram coletadas amostras-padrões de algodão herbáceo proveniente de áreas cultivadas de agricultores familiares de 04 regiões produtores de algodão agroecológico. Todas as áreas são manejadas de forma agroecológica e obedecem as regras de certificação do Instituto Biodinâmico (IBD), certificadora atualmente responsável pelo selo orgânico da produção do algodão.

Foram colhidos 20 capulhos no terço médio das plantas de algodoeiro dos roçados desses agricultores e feito as análises de HVI (High Volume Instruments) no Laboratório de Fibras e Fios da Embrapa Algodão, Campina Grande-PB, seguindo recomendação de Santana et al. (2008).

Para análise dos resultados foi usado o delineamento experimental em blocos casualizados (DBC), com 4 tratamentos (regiões) e 9 blocos (áreas de agricultores).

As variáveis analisadas foram: percentual em pluma (%Fibras), comprimento em (UHM), uniformidade em % (UNF), resistência em g/tex (SFI), índice de fibras curtas (STR), alongamento à ruptura (ELG), índice micronaire (MIC), refletância (Rd) e grau de amarelo (+b).

Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade (SANTOS et al., 2008).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Observa-se na Tabela 1 diferenças significativas entre as regiões do Pajeú, Curimataú, Oeste Potiguar e Triunfo quando analisados a percentagem de fibra, uniformidade, comprimento e índices de fibras curtas, alongamento, maturidade e grau de amarelo. Essas diferenças podem ser reflexos do manejo adotado no sistema de cultivo e na colheita de cada região. No entanto, parece ser o fator genético que mais influenciou as características tecnológicas da fibra e do fio, uma vez que a variedade usada no Curimataú é a CNPA 8H. Segundo Luz et al. (2007), fatores intrínsecos (genéticos) e extrínsecos (manejo) colaboram para a qualidade de fibra do algodão.




Tabela 1. Resumo das análises de variância das variáveis da qualidade física de fibra e do fio do algodoeiro, cv CNPA 7MH e CNPA 8H, das regiões de Triunfo (PE), Pajeú (PE), Oeste Potiguar (RN) e Curimataú (PB), cultivado sob manejo agroecológico, Campina Grande, 2008.



Observando a Tabela 2, verificam-se diferenças entre as médias das regiões de Triunfo (PE), Pajeú (PE) e Oeste Potiguar (RN) que cultivaram a cv CNPA 7MH e a região do Curimataú, que cultivou a variedade CNPA 8H. Os valores de comprimento estiveram acima de 30 mm e o índice de fibras curtas abaixo de 5,7%, característica muito particulares de cultivares derivadas do algodoeiro mocó (Gossypium hirsutum L. raça marie galante) como o CNPA 7MH. Valores inferiores foram encontrados por Beltrão et al. (2000) quando estudou as características intrínsecas da fibra desta cultivar para as variáveis porcentagem de fibra (31,5%), comprimento (28,8mm), uniformidade (49,7%), resistência (26,6%) e alongamento (6,7milimex).




Tabela 2. Médias dos tratamentos das características tecnológicas da fibra e do fio do algodão, cv CNPA 7MH e CNPA 8H, dos territórios de Triunfo (PE), Pajeú (PE), Oeste Potiguar (RN) e Curimataú (PB), cultivado sob manejo agroecológico, Embrapa Algodão, Campina Grande, 2008.


Destaca-se no estudo, a maior porcentagem de fibra no Curimataú (PB) (Figura 1), onde se cultivou a variedade CNPA 8H. Para todas as regiões, as características tecnológicas de fibra apresentaram resultados de acordo com os padrões estabelecidos pela indústria têxtil, e de acordo com os dados de Fonseca e Santana (2002). Provavelmente, a qualidade do algodão do Semi-árido se deva a colheita manual, que apesar de morosa, permite a obtenção de fibras de melhor qualidade pela possibilidade de selecionar e classificar a produção segundo critérios de qualidade como maturidade, incidência de doenças, pragas e presença de plantas invasoras.


CONCLUSÃO

A porcentagem de pluma foi significantemente maior no Curimataú – PB (41,30%), cv CNPA 8H, o que proporciona aos agricultores um incremento na renda, pois, o algodão orgânico é comercializado em forma de pluma.

As fibras das cultivares CNPA 7MH e 8H atendem as exigências da indústria têxtil nacional e internacional estando entre as melhores fibras que o mundo atualmente produz.

CONTRIBUIÇÃO PRÁTICA E CIENTÍFICA DO TRABALHO

O monitoramento dos parâmetros físicos de qualidade de fibras e fios do algodão dá aos agricultores e a indústria a segurança para a qualidade na produção.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

BELTRÃO, N. E. de M. ; FIDELES FILHO, J. ; SOUZA, J. G. de . Produtividade, qualidade de fibra e análise do crescimento com estimativa da respiração do algodão perene 7MH nas condições ecofisiológicas do Seridó paraibano, comparado a CNPA 5M. Revista de Oleaginosas e Fibrosas, Campina Grande, v. 4, n. 1, p. 13-21, 2000.

FONSECA, R. G. da.; SANTANA, J. C. F. de. Resultados de ensaio HVI e suas interpretações (ASTM D-4605). Campina Grande: Embrapa Algodão, 2002. 13 p. (Circular Técnica, 66).

LIMA, P. J. B. F. Algodão agroecológico no comércio justo: fazendo a diferença. Revista Agriculturas: experiência em agroecologia, v. 5, n. 2, p. 37-41, Jun. 2008.

LIMA, P. J. B. F. Algodão Orgânico: bases técnicas da produção, certificação, industrialização e mercado. In: REUNIÃO NACIONAL DO ALGODÃO, 8., 1995, Londrina. Resumos... Londrina: IAPAR, 1995. 156 p. 20p. Mimeografdo.

LUZ, M. J. da S. e; SANTANA, J. C. de F.; SANTOS, J. W. dos; BEZERRA, J. R. C.; ANDRADE, J. E. O. de. Associação entre variáveis relacionadas à qualidade da fibra de algodoeiro irrigado submetido a diferentes doses de uréia. Revista Brasileira de Oleaginosas e Fibrosas, v. 11, n. 3, p.185-193, set./dez. 2007.

SANTANA, J. C. F. de; WANDERLEY, M. J. R.; BELTRÃO, N. E. de M.; AZEVEDO, D. M. P. de; LEÃO, A. B.; VIEIRA, D. J. Características da fibra e do fio do algodão : análise e interpretação dos resultados. In: BELTRÃO, N. E. de M.;

AZEVEDO, D. M. P. de. (Ed.). O Agronegócio do Algodão no Brasil. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica; Campina Grande: Embrapa Algodão, 2008. v. 2, p. 1101-1120.

SANTOS, J. W. ; ALMEIDA, F. de A. C.; BELTRÃO, N. E. de M. ; CAVALCANTE, F. B. . Estatística Experimental Aplicada. 2. ed. , 2008. v. 1. 461 p.

SILVA, M. N. B. da; BELTRÃO, N. E. de M.; CARDOSO, G. D. Adubação do algodão colorido BRS 200 em sistema orgânico no Seridó paraibano. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande, v. 9, n. 2, p. 222-228, 2005.

SILVA, M. N. B. da. Manejo cultural do algodoeiro colorido BRS 200 em cultivo orgânico no semi-árido paraibano. 2003. 114 f. Tese (Doutorado em Programa de Pós Graduação Em Agronomia).- Universidade Federal da Paraíba, Areia.