Da biodiversidade às florestas e pajés

Neste Ano Internacional da Biodiversidade, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) traz boa notícia: o desmatamento e a conversão de áreas florestadas para a agropecuária caíram na década 2000/2009 para 13 milhões de hectares anuais (ou 130 mil km2, pouco mais de metade da superfície do Estado de São Paulo), ante 16 milhões de hectares anuais na década anterior. Mas complementa: ainda assim, o "ritmo de perda de florestas tropicais continua alarmante".
Brasil e Indonésia, diz o relatório da FAO, são os principais agentes desse desmatamento. E o estrago só não foi maior porque China, Índia, EUA e Vietnã plantaram 7 milhões de km2 anuais de florestas na década. Com isso, a perda líquida caiu de 8,3 milhões de hectares anuais, na década anterior, para 5,2 milhões de hectares anuais, na última. E a superfície florestal mundial ficou em 4 bilhões de hectares (ou 40 milhões de km2), cerca de 31% da superfície terrestre.
Os números do Brasil no relatório são fortes: 2,6 milhões de hectares anuais (ou 26 mil km2) desmatados em todo o País na última década, ante 29 milhões de hectares anuais na década de 90. E isso tem consequências graves, já que os 900 especialistas de 178 países reunidos pela FAO não hesitam em dizer que as florestas "têm um papel muito importante" na mitigação de mudanças climáticas, pois armazenam 289 bilhões de toneladas de carbono, mais do que já está acumulado na atmosfera e intensifica o efeito estufa. Sem a floresta, o carbono liberado irá para a atmosfera. E as florestas primárias atualmente representam 36% da superfície florestal total. Delas, 1% é atingido a cada ano por incêndios.
Por onde se poderia avançar na proteção das florestas e da biodiversidade? Está em curso uma discussão semelhante à que ocorre na área do clima, com muitos especialistas propondo a criação de uma entidade fora do âmbito da ONU, porque neste as decisões só são tomadas por consenso, e ele não acontece por causa das divergências entre países-membros. Desde a Rio 92, quando foi criada, a Convenção da Diversidade Biológica está empacada na discussão sobre a soberania dos países detentores da biodiversidade e a repartição de benefícios quando alguma espécie neles pesquisada é transformada em produto industrial patenteado em outro país. Enquanto não se avança, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) diz que um terço do 1,9 milhão de espécies já identificadas está em "situação crítica". Dos 34 "hotspots" (lugares mais ameaçados no mundo), 2 estão no Brasil: Cerrado e Mata Atlântica.
Detentor da maior biodiversidade planetária, o Brasil precisa prestar atenção a mais um relatório - Indigenous Lands, Protected Areas and Slowing Climate Change -, publicado pela PLoS Biology, com a participação dos pesquisadores brasileiros Britaldo Soares Filho (UFMG) e Gustavo A. B. da Fonseca (diretor de projetos no WWF/EUA). Diz o estudo que a proteção de áreas florestais, com a redução do desmatamento e da degradação, é uma das estratégias mais eficazes e de efeito imediato para enfrentar mudanças climáticas. Por isso, deve ser incorporada às estratégias para redução de emissões de gases poluentes. E, nesse contexto, a prioridade deve ser para a criação de áreas indígenas protegidas e unidades de conservação - que, além do mais, gera trabalho e renda para populações locais. Desde 2002, afirma o estudo publicado, o desmatamento na Amazônia foi 11 vezes menor nas áreas indígenas e unidades de conservação do que nas áreas não protegidas. O cálculo feito é de que até 2050 essas áreas indígenas e protegidas evitarão o desmatamento de 259 mil km2, mais que a área do Estado de São Paulo.
São informações importantes, na hora em que tantas objeções se levantam em certos setores contra a demarcação de áreas indígenas - quando elas são vitais para a conservação da biodiversidade (nossa melhor possibilidade de futuro) e o enfrentamento das mudanças climáticas. Mas há uma questão adicional que pede muita atenção de estudiosos e dos próprios indígenas: o problema da educação nas aldeias.
Há poucos dias, uma comissão de índios de Roraima entregou ao governo do Estado minuta de projeto para a criação da carreira pública de professor indígena - em que o candidato precisará ser indígena, ter aprovação da comunidade, morar na aldeia e ter capacidade de implantar o ensino bilíngue. Nesse último ponto pode estar um complicador, que exige discussão e reflexão.
Nas andanças pelas aldeias do Parque Indígena do Xingu e áreas vizinhas, em todas o autor destas linhas ouviu dos chefes mais velhos e experientes que "o ensino bilíngue é que está acabando com a nossa cultura". Porque, na visão deles, ao aprenderem português, as crianças e jovens passam a ver televisão e conviver com as culturas de fora. A partir daí, querem viver como os jovens brancos, consumir o que estes consomem e não querem mais viver como índios. Mais grave, não querem ser pajés, porque o caminho para ser pajé é longo, difícil, cheio de sacrifícios e riscos, abstinências, etc. Mas, naquele mundo regido por espíritos - cada árvore, cada animal, tem um espírito regente -, se não houver pajés, que fazem a intermediação entre ele e o cotidiano, a cultura tradicional desaparecerá, pois todos os cantos, as danças, os rituais e modos de viver são relacionados com espíritos. O número de pajés em cada aldeia já diminuiu drasticamente. Há aldeias já ameaçadas de ficar sem nenhum.
É complicado, pois impedir o contato com culturas de fora já é impossível. Mas como preservar, sem pajés, as culturas tradicionais e seus valores políticos e sociais, além do meio ambiente, tão importantes? É uma discussão a que não se pode mais fugir. Faz parte, na verdade, da discussão sobre as estratégias nacionais mais importantes.

JORNALISTA, E-MAIL: WLRNOVAES@UOL. COM.BR

Avatar II: a luta contra Belo Monte


James Cameron, diretor de Titanic e da badalada aventura ecológico-espacial Avatar, esteve em Altamira no final de março para conhecer a região onde se pretende construir a hidrelétrica de Belo Monte. Dias antes, durante sua participação no Fórum Internacional de Sustentabilidade em Manaus, nos dias 26 e 27, o cineasta havia "implorado" 100410_rodolfosalm_1.jpgao presidente Lula que reconsiderasse a decisão da construção da monumental obra no Xingu. No dia 29 ele dirigiu-se de barco à Terra Indígena Arara, da Volta Grande do Xingu. Lá, reuniu-se com índios de várias etnias, incluindo os Kayapó, e mais tarde encontrou-se conosco, representantes da universidade, da Igreja, dos movimentos sociais e dos ribeirinhos, os não-índios que também lutam contra a concretização deste projeto desastroso. Cameron relatou-nos que ficou sensibilizado com a preocupação dos índios com o rio, a floresta e as futuras gerações. E que dissera a eles que o sucesso mundial do seu novo filme abre-lhe, por algum tempo, a possibilidade de ajudá-los, divulgando seus temores na luta contra Belo Monte em larga escala.

Para municiá-lo com informações importantes para esta luta, falamos de nossas preocupações. Eu fiz questão de lembrar a extrema fragilidade ecológica da floresta da bacia do rio Xingu, fragilidade esta relacionada à sua forte sazonalidade climática, que faz com que nos longos períodos muito secos a floresta queime com facilidade. Assim, as grandes ondas migratórias que inevitavelmente acompanhariam a construção da barragem e a multiplicação das atividades econômicas destrutivas para a floresta que acompanhariam a infra-estrutura criada levariam, em poucos anos, à destruição de metade de toda a floresta amazônica. E que isso tudo faz da campanha contra Belo Monte a mais importante empreitada ecológica da atualidade. Disse ainda que ele, hoje, trabalhando com um meio de comunicação tão poderoso quanto o cinema, poderia ter uma importância ainda maior que Sting teve em 1989, quando o músico, aliado a importantes líderes Kayapó como Raoní e Paiacan, atraiu a mídia internacional para a demonstração que redundou na suspensão do financiamento do Banco Mundial para esta mesma obra desastrosa. Ao que ele me respondeu que se encontraria com Sting dentro de alguns dias, e poderíamos assim ter os dois unidos na causa.

A reação às declarações de Cameron foi imediata. O jornalista Sérgio Barreto Motta publicou em seu blog no Monitor Mercantil Digital, já dia 29, um artigo que começa assim: "Os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU lideram na produção e exportação de armas e controlam 95% do arsenal nuclear da Terra. A Inglaterra participou de investidas polêmicas, como a Guerra do Iraque; os Estados Unidos foram o único país do mundo a jogar bombas atômicas em seres humanos. A China ocupou o Tibet, mas o premiado diretor de Exterminador do Futuro, Titanic e Avatar, James Cameron, vem ao Brasil dizer que não deve ser construída a hidrelétrica de Belo Monte".

À parte o completo descomprometimento deste argumento com qualquer sentido mínimo de lógica, é curiosa (e, por que não, apropriada) a comparação do jornalista da construção da hidrelétrica de Belo Monte com algumas das maiores tragédias da humanidade, em sua lamentável defesa de que também poderíamos cometê-las. Para o jornalista, Cameron, ao somar-se aos que protestam contra o projeto Belo Monte, "adverte o Brasil para não crescer, ou então para crescer com base em óleo e carvão, ou mesmo com base nuclear, que não gera gás carbônico, mas cujo lixo ainda não tem destino certo no planeta". Como se a energia de Belo Monte, que tem como objetivo final principalmente a mineração nesta região (e a conseqüente destruição da Amazônia), fosse nos trazer desenvolvimento econômico. Não traria.

Essa energia seria usada, como na história de Avatar, para atender a interesses alienígenas, voltados à exploração da bauxita, o nosso "unobtainium" (fictício minério valiosíssimo do filme), por grandes mineradoras multinacionais que estão se instalando rapidamente em toda a região Amazônica. Esta energia, na verdade, seria exportada de forma bem baratinha, embutida no preço de minérios, de cujo lucro veríamos uma ínfima parte. Ao invés de gerar desenvolvimento, essa obra seria um peso morto nas costas do contribuinte e a rápida destruição da Amazônia traria mais subdesenvolvimento, mudanças climáticas, seca e fome para o resto do país, uma vez que, por exemplo, boa parte das chuvas que permitem a agricultura do estado de São Paulo desloca-se por "rios voadores" conduzidos por correntes atmosféricas a partir da floresta amazônica.

O jornalista prossegue: "O Brasil recebeu essa dádiva, que é a possibilidade de gerar energia para o desenvolvimento simplesmente com o uso da água. E essa estrela internacional, colecionador de prêmios, vem a seminário em Manaus trazer a mensagem de que a usina de Belo Monte faz mal ao planeta". Corrijo o articulista: na verdade, a dádiva de nosso país é ter em seu território a maior parte da maior floresta tropical do mundo, e não água para gerar energia para a exploração destrutiva de seu subsolo. E Cameron não veio ao Brasil dizer o que devemos fazer. Deve, isso sim, ao sair daqui, dizer ao mundo que nós, brasileiros que vivemos na região, não queremos a usina porque ela faria muito mal a nós e ao planeta. Em Manaus, James Cameron comparou a luta dos Kayapó que se opõem à usina à dos Na'vi, povo criado por ele no filme e que vive na floresta de Pandora. Antes da vinda do diretor ao Brasil, Marina Silva já fizera a mesma comparação: "Quem pensa que a história relatada no filme Avatar só pode ocorrer em outro planeta, engana-se: Pandora também pode ser aqui", em referência a Belo Monte.

Sou mais pessimista que James Cameron quanto à tecnologia e o futuro da humanidade. Em 2154, não acredito que estaremos chegando a galáxias distantes em naves espaciais colossais para roubar energia de planetas ainda virgens. Estaremos na verdade aqui, definhando. Seremos uma espécie ameaçada de extinção pelo longo processo de degradação ambiental e por termos exaurido e contaminado nossas principais fontes de vida e energia. E este processo teria na construção da hidrelétrica de Belo Monte um marco fundamental do barramento de todos os rios da Amazônia, e da consumação da sua destruição completa. Algumas analogias presentes no filme são perfeitamente didáticas. A minha preferida é a observação da Dra. Grace Augustine, a botânica interpretada pela atriz Sigourney Weaver que vive em Pandora há 15 anos, em relação ao Unobtainium: "a riqueza deste mundo não está no solo, está em toda a nossa volta, os Na’vi sabem e estão lutando para defender isso".

100410_rodolfosalm_b.jpg

Recentemente, estive no local exato onde se pretende construir a muralha que barraria o Xingu, na altura da ilha Pimental. Sobre a ilha, por onde a barragem passaria cruzando o rio, há uma imensa árvore morta que nos dá uma idéia aproximada da altura do possível paredão de 30 metros (ver foto acima). Hoje, trata-se de uma região paradisíaca, incrivelmente preservada.

Passando de barco pela área é difícil acreditar que dentro de poucos anos pode haver ali um muro da altura de um prédio de dez andares. E que, acima da muralha, o rio que corre daria lugar a um lago podre e parado e, abaixo dela, o Xingu, com sua água desviada para canais de derivação, ficaria permanentemente quase seco, transformando suas margens em desertos, e expondo o seu leito aos garimpeiros e enxames de pragas que se multiplicariam nos pedrais e poças abandonadas.

O desfecho desta história real é difícil de antecipar. Apesar do leilão marcado para as próximas semanas, não há nada definitivo sobre Belo Monte. Nós não temos aqui na Terra aqueles seres gigantes alados, convocados em Pandora para auxiliar os Na’vi na sua luta final contra os terráqueos alienígenas. Mas não faltam guerreiros dispostos a matar e a morrer pela vida do rio, que também é sagrado para os que vivemos aqui. Felizmente, parece que teremos importantes aliados na tarefa de levar esta história ao mundo. E eles estão começando a se mexer.

Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é professor da Universidade Federal do Pará.

Curitiba é eleita a cidade mais sustentável do mundo


Premiação do Globe Forum, da Suécia, escolheu a capital paranaense pelo projeto Biocidade, que tem como objetivo reduzir as perdas da flora e fauna no meio ambiente urbano



A capital paranaense ganhou, por unanimidade, o prêmio Globe Award Sustainable City, que elege a cada ano a cidade mais sustentável do mundo. A premiação é organizada pelo Globe Forum, da Suécia. Concorria com o município brasileiro, Sydney, na Austrália, Malmö, na Suécia, Murcia, na Espanha, Songpa, na Coreia do Sul, e Stargard Szczecinski, na Polônia.

O Globe Award Sustainable City avaliou itens como preservação de recursos naturais, bem-estar e relação social nas cidades, inteligência e inovação nos projetos e programas, cultura e lazer, transporte, confiança no setor público e gerenciamento financeiro e patrimonial. "Particularmente, a abordagem holística com que a cidade encarou os desafios da sustentabilidade é bem delineada e gerenciada numa clara demonstração de forte e saudável participação da comunidade e integração da dimensão ambiental com as dimensões intelectual, cultural, econômica e social", disse o júri em nota oficial.

O principal projeto apresentado por Curitiba à premiação foi o Biocidade, que integra a questão ambiental a todas as ações do Município. O programa foi lançado em março de 2007 com o objetivo de reduzir as perdas da flora e fauna no meio ambiente urbano, compatibilizando o desenvolvimento da cidade com a conservação ambiental.

Entre as ações que já foram implementadas pelo Biocidade, estão a criação da Linha Verde, parque linear com cinco mil árvores e 350 mil m² de grama, a revitalização do Horto Florestal, a recuperação de áreas degradadas pela ocupação irregular das margens dos rios da cidade, como a Bacia do Rio Barigüi, a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural Municipal e o investimento em ônibus movidos a biocombustível.

"É uma vencedora muito sólida, com um plano holístico que integra todos os recursos estratégicos conectados com inovação e sustentabilidade futura", disse Jan Sturesson, presidente do comitê de jurados do Globe Award. Além de Sturesson, participaram do júri Lawrence Bloom, membro do Programa Ambiental da ONU, Marilyn Hamilton, fundador da Integral City Meshworks Inc., C. S. Kiang, professor da Universidade de Pequim e o brasileiro Carlos Arruda, diretor de relações internacionais Fundação Dom Cabral.

O prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, receberá o Globe Award Sustainable City no dia 29 de abril, em cerimônia no Museu Nórdico de Estocolmo. Além da premiação, Curitiba terá um espaço para exibição de seus programas e um palestrante na sessão Inovação em Cidade Sustentável da Conferência Mundial de Sustentabilidade Globe Forum, que acontecerá em Estocolmo, entre os dias 28 e 29 de abril.

Curitiba também ganha dois anos como membro especial do Globe Forum, em 2010 e 2011, e destaque nas conferências que acontecerão em Dublin, em novembro de 2010, e em Gdansk, em 2011.

Contra fatos não há argumentos! _(H1N1)_

Contra fatos não há argumentos!

O que segue são notícias, reportagens e estudos, nacionais e internacionais, que colocam por terra o mito da gripe como pandemia e da vacina como a "melhor arma" contra esta fantasia que é a gripe suína. Todas as matérias tem fontes confiáveis, que podem ser checadas facilmente (o link com as fontes está no fim de cada matéria)

Por favor verifiquem o conteúdo e as fontes e repassem.

- [VIDEO] Bebê é internado após tomar vacina contra gripe H1N1 em SP
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 04/video- bebe-e-internado -apos-tomar. html
- Opinião de profissionais altamente qualificados sobre o vírus H1N1 e a vacina
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 03/opiniao- de-profissionais -altamente. html
- Bomba: Diário Digital de Portugal: Gripe A(H1N1): OMS e farmacêuticas acusadas de alarmismo
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 03/diario- digital-de- portugal- gripe-ah1n1. html
- Estadão: Para Conselho da Europa, OMS exagerou no alerta de gripe suína
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 03/estadao- para-conselho- da-europa- oms.html
- Documento de Estratégia de Vacinação Nacional Contra H1N1 Prevê Doenças Graves como Guillan Barre
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 03/documento- de-estrategia- de-vacinacao. html
- Bill Gates admite que vacinas são usadas para depopulação humana
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 03/bill-gates- admite-que- vacinas-sao. html
- BBC: Gripe Suína na Inglaterra : Das Manchetes à Notícia do Passado
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 03/bbc-gripe- suina-na- inglaterra- das.html
- [VIDEO] Grávidas perdem bebé depois de tomar vacina da Gripe A
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 04/video- gravidas- perdem-bebe- depois-de. html
- Pará: Bebê morre ao receber vacina contra Gripe A
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 03/para-bebe- morre-ao- receber-vacina. html
- China Reporta Problemas de Paralisia com a Vacina Contra a Gripe Suína / H1N1
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 03/china- reporta-problema s-de-paralisia. html
- Ministra da saúde francesa duramente interrogada sobre os conflitos de interesse na vacinação contra o H1N1
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 03/ministra- da-saude- duramenteinterro gada.html
- Suécia: Gripe A: Homem morre após tomar vacina
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 03/suecia- gripe-homem- morre-apos- tomar.html
- Polônia é elogiada pelo Conselho da Europa por sua estratégia de não vacinação durante a gripe suína
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 04/polonia- e-elogiada- por-sua-estrateg ia.html
- Jun/2009: Polônia desconfiada da vacinação contra a gripe suína
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 04/jun2009- polonia-desconfi ada-da.html
- Times Online: Vitamina D é Melhor que Vacinas na Prevenção da Gripe
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 03/times- online-vitamina- d-e-melhor- que.html
- Baixos Níveis de Vitamina D está Ligado com a Proliferação do H1N1
http://www.anovaord emmundial. com/2009/ 11/baixos- niveis-de- vitamina- d-esta-ligado. html
- [Carta de um médico] Gripe Suína: Admirável Gado Novo
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 04/carta- de-um-medico- gripe-suina. html
- Realidade - Vacinacao H1N1 nos EUA: 3.800 casos serios, 66 mortes, 96 Guillain-Barré e 102 abortos
http://alturl. com/5j2x
- Onde estão os contratos entre as fornecedoras da vacina H1N1 e o governo brasileiro?
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 04/como-e- o-contrato- das-fornecedoras -da.html
- EUA recusam vacina para gripe A usada na Europa (da GSK, mesma usada no Brasil)
http://www.anovaord emmundial. com/2010/ 03/eua-recusam- vacina-para- gripe-usada- na.html

Índios ensinam como garantir a sustentabilidade da grande floresta

Autor: Renato Antonio Gavazzi

Fonte: Agência Kaxiana de Notícias



Planos de Gestão Territorial e Ambiental em Terras Indígenas no Acre

Neste papo pretendo mostrar como povos indígenas no Acre vêm criando estratégias próprias para proteção, conservação e manejo dos recursos naturais de suas terras já demarcadas e regularizadas pelo governo federal no estado.

Os chamados planos de gestão territorial e ambiental em terras indígenas vêm sendo construídos nos últimos quatro anos (de 2004 a 2007) pelos próprios índios - especialmente pelos agentes agroflorestais indígenas, professores, agentes de saúde e lideranças tradicionais comunitárias - no contexto das oficinas de etnomapeamentos que a Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC) e a Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (AMAAIAC) vêm realizando, junto com organizações indígenas locais, em oito terras indígenas situadas no vale do Alto Juruá acreano, nas proximidades da faixa de fronteira internacional Brasil/Peru.

Os planos de gestão constituem ferramentas importantes que vêm subsidiando e garantindo a sustentabilidade social e ambiental das populações que vivem em diversas terras indígenas no estado. Muitos acordos estabelecidos nesses planos já vêm sendo praticados pelos índios, especialmente aqueles relacionados às formas de manejo e conservação de recursos naturais, como palmeiras e palheiras, pesca, caça, enriquecimento de sistemas agroflorestais, criações de animais silvestres etc.

Nesse sentido, é importante refletir sobre as diferentes formas de implementação dos planos de gestão de acordo com a realidade de cada aldeia, que é a unidade comunitária que decide e especifica como serão implementados os acordos coletivos.

Os planos de gestão, ou cartas de intenções, ou ainda acordos coletivos no uso de recursos naturais, não apenas orientam e planejam as atividades dos projetos de desenvolvimento comunitário, como também articulam políticas ambientais do entorno. Tais inovações são importantes instrumentos para a gestão do uso coletivo e individual dos recursos naturais em terras indígenas. Dentre seus principais objetivos, destacam-se: ajudar as comunidades indígenas a organizar melhor as ações de manejo e uso dos recursos naturais em suas terras; contribuir para as atividades de vigilância e fiscalização nas terras indígenas; implementar projetos de desenvolvimentos comunitários dentro de uma filosofia socioambiental; influenciar políticas socioambientais do entorno, mantendo diálogos profícuos e troca de idéias com vizinhos, autoridades locais e regionais; e, por último, mas não menos importante, fortalecer iniciativas que as próprias comunidades indígenas já vêm realizando em suas terras.

Os planos de gestão registram as discussões que já vêm sendo travadas nas comunidades indígenas e têm forte valor comunitário e político. Ressaltam demandas que as comunidades têm expectativas de programar e desenvolver, como a criação de animais silvestres (quelônios, peixes, abelhas...) e domésticos, o beneficiamento da produção, a captação de água das chuvas, a vigilância e a fiscalização das terras indígenas etc. Ajudam ainda a orientar ações de apoio, canalizando esforços para demandas pré-existentes.

"As mudanças nos comportamentos ambientais propostas pelo plano de gestão não devem se restringir a proibições e sanções, e devem incluir novos projetos produtivos. Nenhuma norma social consegue ser executada efetivamente se não conta com o apoio consciente e legitimador dos membros da sociedade". Essa afirmação é válida tanto para a sociedade brasileira quanto para as sociedades indígenas. Resulta ser pouco eficaz, no médio e longo prazo, impor um conjunto de regras sobre sustentabilidade que não conte com o apoio real dos membros do grupo. Nesse caso, existe o perigo de terem planos e mapas que são socialmente vazios e, por tanto, inviáveis. O estabelecimento de normas de comportamento ambiental que sejam amplamente respeitadas pelos membros do grupo somente pode ser alcançado mediante a construção de um consenso social entre todos os membros do grupo", assevera o antropólogo Paul Little, professor da Universidade de Brasília (UnB) a respeito da constituição coletiva desses planos.

No mesmo sentido apontado acima pelo antropólogo da UnB, o professor Isaac Piyanko, da comunidade Asheninka do rio Amônia, acrescenta: "O Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Povo Asheninka do Rio Amônia vem se construindo a partir das discussões coletivas comunitárias. Ele foi criado a partir das conversas familiares, das conversar sobre a necessidade, sobre as invasões. Ele esta sendo desenvolvido para fortalecer a nossa comunidade futuramente, para que futuramente não precisamos estar subordinado a uma política de entorno. Cada vez mais o Plano de Gestão esta se aperfeiçoando a partir das nossas conversar, dos nossos enfrentamentos, das nossas necessidades. O Plano de Gestão Territorial e Ambiental não é um plano para fechar as idéias de uma sociedade, ou para eliminar qualquer idéia, ou qualquer forma de ser, mas é para fortalecer aquilo que esta acontecendo na prática. O Plano de gestão é basicamente isso, fortalecer aqui o que já existe e aquilo que ainda queremos fazer."

No início deste ano, a CPI/AC, junto com a Associação APIWTXA e AMAAIAC publicaram um livro singelo sobre o Plano de Gestão Asheninka. Trata-se de uma publicação bilíngüe, contendo fotos, mapas e um conjunto de regras ambientais sobre usos coletivos de recursos florestais e florísticos, caça, pesca, roçado, plantios agroflorestais, manejo e criação de animais silvestres, aldeia, lixo, saneamento básico (saúde indígena), recursos hídricos, vigilância e fiscalização de suas terras e relação com o entorno.

A apresentação do livro foi muito bem escrita pelo Francisco Pinhanta, Assessor dos Povos Indígenas do Governo do Estado do Acre, e a introdução é um belo texto de autoria do professor Isaac Piyanko. Dois textos de autoria indígena que valem a pena ser lido.

Trata-se da primeira publicação dos resultados das 16 oficinas de etnomapeamentos que foram realizadas pela CPI/AC e a AMAAIAC em oito terras indígenas do estado nos últimos quatro anos. Novas publicações estão sendo organizadas como uma maneira respeitosa de devolução aos índios dos resultados dos estudos de etnomapeamento que foram realizadas nas terras indígenas Kampa do Rio Amônia, Kaxinawá e Ashaninka do Rio Breu, Kaxinawá do Rio Jordão, Kaxinawá do Baixo Rio Jordão, Kaxinawá do Seringal Independência, Kaxinawá do Rio Humaitá, Poyanawa e Nukini.

A publicação do Plano de Gestão Asheninka contou com apoio de antigos parceiros da CPI/AC, AMAAIAC e APIWTXA como The Nature Conservancy (TNC), Moore Foundation, International Land Coalition (ILC) e Governo do Acre. Novas publicações dos estudos de etnomapeamento estão sendo programadas, algumas delas inclusive já estão no prelo. Aguardem!

Plano de gestão territorial e ambiental da terra indígena Kampa do rio Amônia

I - RECURSOS FLORESTAIS E FLORÍSTICOS

Murmuru: a coleta para a venda deve usar os indivíduos localizados nas margens dos rios e nos caminhos próximos das casas de moradias; quando fizer a coleta nas margens dos rios, procurar deixar sempre alguns pés de murmuru para as caças se alimentarem; não fazer coleta dentro da mata para deixar para as caças se alimentarem, por exemplo: o porquinho, a queixada, a cotia, a cotiara, o quatipuru, etc.; coletar até 300 metros a partir da margem dos rios e igarapés, na área de uso da aldeia.

Semente florestal: de 1993 a 1996 a comunidade se organizou para fazer a coleta e venda de algumas espécies de sementes florestais (mutamba, atopa, mulateiro, mulungu da várzea, copaíba, cedro, aguano (mogno), bálsamo, san pedro, cumaru, pau d’arco, etc.); um dos objetivos era o plantio e reflorestamento dentro da terra indígena e fora dela; de 1996 em diante, cada família continuou a coletar e a plantar para a manutenção dessas espécies; não devemos derrubar as árvores para fazer a coleta da semente, devemos fazer sempre um manejo sustentável e usar material de alpinismo para a coleta.

Sementes de artesanatos: plantar as sementes que são utilizadas para o artesanato próximo das casas de moradias; não devemos derrubar as árvores para fazer a coleta da semente, devemos fazer sempre um manejo sustentável.

Tintas florestais (pigmentação): fazer o manejo sem tirar toda a casca em volta da árvore, pois a árvore morre se a gente anelar; devemos plantar essas espécies perto das casas ou nos sistemas agroflorestais; guardar a casca protegida para que ela dure bastante tempo, evitando desperdícios. Kamarãpi (cipó da ayahuasca): fica proibido o comércio do kamarãpi, pois ele é considerado uma planta sagrada para o povo Asheninka e não deve ser vendido; as pessoas responsáveis pelo seu uso devem fazer o manejo sustentável da planta, plantando-a na mata, nos sistemas agroflorestais ou próximo de sua moradia.

Txamayro: o txamayro é outra planta sagrada e muito importante na cultura dos Asheninka; aqui está sendo feita uma pesquisa para observar os locais de plantio em que ela se desenvolve melhor; planejar reunião com os moradores da Reserva Extrativista do Alto Juruá para informar o que é o txamayro e sua importância na cultura Asheninka, falar da pesquisa e solicitar autorização para a coleta e zelo da área onde ele se encontra; localizar nessas áreas da reserva extrativista os locais onde estão os partidos de txamayro.

Obs: as espécies que não existem dentro da terra indígena, devemos trazê-las para fazer o repovoamento.

Plantas medicinais: cada família deve ter um canteiro com várias plantas medicinais próximo de suas casa; deve ter uma "farmácia viva" e estar sempre preocupado em enriquecer o viveiro com várias plantas medicinais; devemos ter um centro medicinal, administrado pelos pajés e agentes de saúde indígenas, com todas as espécies e variedades de plantas que curam; cada família deve observar as plantas importantes que estão longe de casa e trazer para perto, para atender os imprevistos; recuperar a pesquisa sobre plantas medicinais feita em colaboração com a pesquisadora Margarete Mendes.

Jaci: está sendo feito o manejo da palha do jaci; para a coleta, usamos equipamento de alpinismo em toda a área da aldeia.

Coco inajá: devemos evitar a derrubada e fazer o plantio, pois é pouca a quantidade de coco inajá na terra indígena.

Madeira para construção de canoas e tambores: devemos escolher bem as árvores para construir canoas e tambores; derrubar e aproveitar bem todos os paus, as cascas e os galhos.

Madeira de Lei: fazer uma pesquisa sobre a abundância das espécies de madeira de lei mais usadas e suas taxas de crescimento; os caçadores podem trazer informações e fazer o registro; não usar cedro e aguano para a construção de casas; aproveitar madeiras derrubadas e caídas; solicitar oficina de aproveitamento dessas espécies.

Frutas nativas: pama, sapota, abiu, bacuri, patoá, buriti, açaí, manixi, tracubinha, mão-de-onça, tsintaki, etc.; fazer a coleta evitando a derrubada: trepando na árvore e usando material de alpinismo.

Pesquisas Florestais: dar continuidade às pesquisas sobre os produtos não madeireiros para implementar uma produção diversificada ao longo do ano.
Parcerias com instituições: estabelecer e firmar parcerias com as instituições governamentais (IBAMA, IMAC, SEPRO, SEATER, EMBRAPA, universidades) para apoiar a implementação do plano de gestão territorial e ambiental da terra indígena.

II - CAÇA

Cachorro caçador: fica proibido o uso de cachorro (paulista, americano, etc.) para a caça de animais grandes (veado, porquinho, queixada, anta) em áreas mais distantes; o cachorro que não é de raça caçadora pode caçar os animais pequenos que atacam o roçado, como a paca, a capivara, a cotia, etc.; cada família pode criar apenas dois cachorros.

Caçada: identificar a época de reprodução de cada animal e caçar menos no tempo de filhotes.

Capivara e jacaré: há abundância dessas espécies na terra indígena, mas a carne desses animais não é consumida pelos Asheninka; portanto, devemos usar a carne do jacaré e da capivara nos cursos e eventos que acontecem na aldeia Apiwtxa; como, em alguns casos, a capivara traz problemas comendo as roças de praia, podemos pensar em um plano de exploração e venda da carne desse animal junto ao IBAMA.

III - PESCA

Oaca: controlar o plantio de oaca; sugerimos no máximo quatro pés por roçado.

Pesca com bicheiro: pescar com bicheiro durante um ano e deixar de pescar nos próximos dois anos; no ano de pesca com bicheiro, combinar com a comunidade quais serão os remansos utilizados para mergulho. Pesca com tarrafa: não cobrir a pausada com a tarrafa para fazer bateção.

Bodó: não pegar bodó no tempo em que estiver ovado.

Construção de açude: serão construídos em mutirão para cada família; cada uma colocará os peixes que tem vontade de criar; haverá um açude grande, comunitário, para a criação de tracajá, tartarugas e peixes.

Piracema: atualmente, os pescadores e a população do entorno não deixam mais subir piracema; fecham o rio com malhadeira e pegam todos os tipos de peixe; representantes da comunidade devem participar e exigir a fiscalização na época da piracema no município de Marechal Thaumaturgo e no baixo rio Amônia (que fica fora da terra indígena).

Lagos: não limpar a beira e os balseiros dos lagos que são usados para pescar.

Área de refúgio: é uma área reservada para a reprodução da fauna; em 1990, com a saída dos wirakotxa (brancos), foi criada a primeira área de refúgio em nossa terra, entre os rios Revoltoso e Amoninha; em 1995, com a mudança do local da aldeia, foi criada a segunda área de refúgio; a partir de 1999, começaram as invasões das madeireiras peruanas em nosso território, afetando a primeira área de refúgio, além das famílias que moram lá perto; em agosto de 2004, a primeira área foi novamente afetada, quando colocaram uma grande quantidade de veneno no rio Amoninha, do meio até a foz, matando aproximadamente duas toneladas de peixe.

IV - ROÇADO

Roçados: continuar colocando roçados em áreas de capoeiras; quando for necessário colocar na mata bruta, estudar junto com o agente agroflorestal os recursos que existem dentro da área; fazer um planejamento junto com a comunidade para delimitar uma área que fique reservada para o plantio de macaxeira.

Sementes indígenas: ter uma política para preservar as sementes indígenas para não correr o risco de perder a biodiversidade dos roçados Ashaninka.
Algodão: estamos vivendo um problema com os nossos plantios de algodão, uma praga vem destruindo muito a nossa plantação; para evitar que isso aconteça, devemos plantá-lo sempre em locais adequados; devemos procurar ajuda de fora para tentar resolver esse problema que estamos enfrentando.

Intercâmbio genético: existe um intercâmbio antigo entre o povo Asheninka de sementes, legumes e plantas tradicionais; mas gostaríamos de fortalecer essa relação de troca para a melhoria e enriquecimento da agricultura tradicional da terra indígena.

V - PLANTIOS AGROFLORESTAIS

Sistemas agroflorestais: antes não havia sistema agroflorestal na terra indígena, mas hoje a maioria das famílias tem plantios nos quintais e roçados; precisamos apenas continuar plantando as espécies da mata (frutas, madeiras, medicinas etc.) e as espécies de fora (exóticas); nos novos plantios, planejar os locais adequados e os consórcios que podem ser feitos.

Capoeira: enriquecer as capoeiras delimitando uma área para plantar somente espécies nativas de interesse da comunidade, como açaí, bacaba, paxiubão, jaci, madeiras etc.

VI - MANEJO E CRIAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES

Abelha nativa: dar continuidade à criação de abelhas nativas (melíponas) na aldeia, em locais próximos às casas das famílias; fazer a retirada de mel de abelha com os cuidados necessários para não espantar nem matar o enxame; procurar ajudar a conservar as espécies das abelhas.

Arara: fazer uso das penas da arara (nas nossas vestimentas e artesanatos) de maneira sustentável; criar arara para fazer o repovoamento da espécie na região.

Mutum: averiguar a possibilidade de criação de mutum em cativeiro; buscar especialista nessa área para nos dar assessoria e assistência técnica.

Manejo e repovoamento de quelônios

Tracajá: de 1990 a 2002 foi feito o manejo apenas deixando de coletar uma parte dos ovos e não os perseguindo mais; em 2002, foram colocadas duas praias de tabuleiro e construídos dois açudes na aldeia; foram soltos cem tracajás no lago próximo da comunidade e temos nos açudes (cativeiro) cerca de 1.400 filhotes; vamos continuar essa forma de manejo até os tracajás de cativeiro começar a botar ovos, o que vai demorar por volta de dois anos; em agosto de 2004, coletamos 31 covas; o pessoal da aldeia Sawawo tirou pelo menos 21 covas antes da coleta da Apiwtxa, em agosto.
Tartaruga: existe um acordo com o IBAMA para o repovoamento desse animal com a doação, durante cinco anos, de mil filhotes por ano.

Jabuti: estamos fazendo um experimento de criação em cativeiro; atualmente, existem 45 animais numa área de 30 x 30 metros; já houve postura e nascimento em cativeiro.

VII - ALDEIA

Planejamento da aldeia Apiwtxa: construir as casas distantes umas das outras para que haja espaço para os plantios e para que as casas não fiquem amontoadas.

VIII - Lixo e saneamento básico - Saúde Ambiental

Coleta do Lixo: a comunidade deve se organizar para coletar o lixo não orgânico e levar para a cidade; ao mesmo tempo, devemos cobrar nos municípios um local adequado para colocar esse tipo de lixo; não jogar pilhas e baterias pelos terreiros da aldeia; coletá-las e levar para a sede do município.

Separar o lixo: orientar a comunidade para separar o lixo orgânico (casca, resto de comidas etc.) do lixo não orgânico (latas, plástico, vidro. Pilhas, baterias etc.).

Poluição do lixo: orientar e fiscalizar os visitantes para não jogar lixo na aldeia.que deve ser levado de volta para a cidade.

Privadas: cada família deve se organizar para ter a sua.

IX - RECURSOS HÍDRICOS

Fonte de água: separar as cacimbas de tomar banho e lavar roupa das cacimbas de beber água; não jogar lixo nem construir privada perto das cacimbas; não jogar óleo de motor nos rios e igarapés; cobrar dos órgãos públicos competentes a construção de poços artesianos e estrutura de distribuição de água.

Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Amônia: iniciar a discussão para implementar o Comitê da bacia do rio Amônia no município de Marechal Thaumaturgo.

X - VIGILÂNCIA E FISCALIZAÇÃO

Sistema de fiscalização da área de fronteira: planejar um sistema de fiscalização da área de fronteira pela comunidade e cobrar dos poderes públicos a proteção da terra indígena.

Famílias Asheninka peruanas: no momento atual, não devemos permitir a mudança de famílias Asheninka peruanas para a TI Rio Amônia, pois eles podem dar apoio às madeireiras peruanas.

Sistema de vigilância comunitária: organizar um sistema de vigilância comunitária com suporte da FUNAI; investigar se há recurso para apoiar essa ação.

XI - RELAÇÃO COM O ENTORNO

Intercâmbio de realidades e experiências em desenvolvimento sustentável: dar continuidade, no entorno da terra indígena, às ações de conscientizaçã o sobre questões socioambientais relacionadas à gestão ambiental do Alto Juruá; planejar encontros entre representantes da Apiwtxa, Reserva Extrativista do Alto Juruá, assentamento, igarapé Arara, aldeia Sawawo e da sede do Município de Marechal Thaumaturgo para intercâmbio de experiências em desenvolvimento sustentável.

Conscientizaçã o e mobilização do entorno: incentivar os moradores do entorno que demonstram interesse (Maritô, Antonio Caxixo da RESEX) a desenvolverem seus trabalhos e ganharem apoio de suas comunidades.

Alunos do ensino médio da cidade: trazer alunos do ensino médio da sede do Município de Marechal Thaumaturgo para conhecer as experiências de gestão territorial e ambiental da aldeia Apiwtxa.

Política pública municipal: envolver o prefeito e representantes de Marechal Thaumaturgo nas questões relacionadas à gestão ambiental do município; eventualmente, receber essas personalidades na aldeia.

(*) Renato Gavazzi é coordenador do Setor de Agricultura e Meio Ambiente da CPI/AC e um dos responsáveis pela formação e capacitação dos agentes agroflorestais indígenas no Acre. Artigo publicado originalmente na coluna "Papo de Índio", do jornal Página 20, de Rio Branco-Acre.

Cultura de cobertura para o Sistema Plantio Direto

O Sistema de Semeadura Direta requer atenção na administração da adubação nitrogenada das culturas antecessoras, ao passo que o fornecimento de palha no sistema torna-se relevante, tendo em vista que, além do manejo correto da adubação, fornecendo palha no sistema, a escolha da planta de cobertura adequada, realiza um importante papel de acordo com as condições regionais de clima e solo.

No Estado de São Paulo, boa parte das nossas tentativas de ajustar o sistema, esbarram no maior fator limitante, o clima, caracterizado pelo inverno seco. Diante disto a escolha de consórcios, plantas rústicas, responsivas ao nitrogênio e com boa persistência de fitomassa em cobertura são estratégias que podem minimizar os problemas e aumentar a sustentabilidade do sistema.

Diante da necessidade de estudar qual a real contribuição da matéria orgânica para a qualidade deste sistema de manejo, o Plantio Direto na Palha, estabeleceu-se no estado uma rede de experimentos que permitirão em média e longa duração esclarecer critérios e estudar a dinâmica do carbono do solo em área tropicais, onde se enquadra o estado de São Paulo, tendo características bem distintas de área subtropicais, como Rio Grande do Sul e Paraná e até mesmo difere do Centro-Oeste, uma região tropical assim como o Estado de São Paulo, entretanto o fotoperíodo tem um papel fundamental na produção de grãos e oferta de fitomassa no sistema.

O efeito do nitrogênio na fertilidade do solo se faz sentir principalmente através do pH, da disponibilidade de nutrientes como cálcio, fósforo, molibdênio e ferro; da quantidade de N combinado prontamente disponível no solo. A médio e longo prazo por favorecer a adição de palha no sistema, o N auxilia no acúmulo de carbono, e a soja em rotação também propicia aumento da matéria orgânica, já que pela fixação simbiótica do N, o nitrogênio total dos solos é aumentado, favorecendo o incremento do carbono orgânico total.

Com o objetivo de Instrumentalizar e melhor avaliar nossos experimentos foram realizadas diversas medições e análises em laboratório e campo que permitiram melhor avaliar a qualidade da matéria orgânica do solo e a evolução da qualidade física do solo. Isto pode ser realizado com o auxílio da Embrapa Instrumentação, em São Carlos, SP.

Os tratamentos de outono-inverno e ou primavera estudados foram: T1 (gramíneas sem nitrogênio em cobertura); T2 (gramíneas com 30Kg de N/ha em cobertura no pré-florescimento); T3 (gramíneas com 60 Kg de N em cobertura /ha no pré-florescimento; T4 (Leguminosa) e T5 (Pousio). No verão verão sempre foi realizada a semeadura da cultura da soja em área total sobre todos os tratamentos em diferentes locais.

RESULTADOS PARCIAIS
A seguir são apresentados resultados, que mostram a diferença na humificação de dois solos distintos no Estado de São Paulo, o primeiro no Instituto Agronômico (IAC-APTA) em Campinas, instalado há seis anos, de textura argilosa e o segundo no Polo Regional da Alta Mogiana (APTA) em Colina , instalado há quatro anos, de textura arenosa.

O índice HFil (Milori, et al., 2006) é calculado pelo espectro da matéria orgânica que é lido em amostras de solo devidamente preparadas, por um ametodologia desenvolvida pela Embrapa Instrumentação, onde esta área do espectro é normalizada pelo carbono elementar da mesma amostra.



A humificação apresentada na Tabela 1 é superior em subsuperfície, ou seja, abaixo dos 10 cm de solo, pois no SPD o aporte de resíduos vegetais contribue para incremento de frações mais leves da matéria orgânica, e estas por sua vez são as grandes responsáveis pelas mudanças de sistemas de manejo conservacionistas, em particular o plantio direto.

Com relação à estratificação na amostragem, pode-se observar que a camada de 0-2,5 cm, é a que mostra maior sensibilidade às mudanças dos sistemas de manejo ou tratamentos estudados. Tanto em Campinas como em Colina, a humificação é maior de acordo com a do se de N, entretanto, tanto em Colina como em Campinas a diferença foi significativa, apenas se comparada ao Pousio, o que reforça a necessidade da utilização de plantas de cobertura e a necessidade de não deixar área em Pousio, para que o sistema possa ser consolidado e dar sustentabilidade para a produtividade agrícola.

Segundo Ferreira e Cruz (1994), no que diz respeito à ciclagem de nutrientes, o acúmulo de matéria orgânica e sua importância no solo não se restringem à capacidade de fornecer nitrogênio às plantas. Aliás, no que diz respeito a nutrição de plantas, a matéria orgânica, dentro de certos limites é fornecedora de todos os nutrientes. É importante que se deixe claro que a matéria orgânica tem grande papel tanto nas propriedades físicas, quanto nas químicas e nas biológicas do solo.

CONCLUSÕES PRELIMINARES
Para o Latossolo Vermelho Amarelo de Colina a leguminosa (T4) após quatro anos de instalação dos tratamentos mostrou-se promissora para a qualidade do carbono orgânico do solo se comparado aos demais tratamentos.

No solo argiloso (60%) de Campinas grande parte do carbono ficou associada à fração mineral, principamente no tratamento T5 (pousio).
A cultura da soja em dois dos três anos agrícolas estudados com a cultivar IAC – 23 produziu 20% a mais no tratamento T3 (na gramínea com maior dose de N em cobertura).

Pesquisadores que Compõem a Equipe de Trabalho: Sandro Roberto Brancalião, Ladislau Martin Neto, Heitor Cantarella, Isabella Clerici De Maria, Elaine Bahia Wutke, Sonia Carmela Falci Dechen, Marcelo Ticelli, Ivana Marino Bárbaro, Edison Ulisses Ramos, Denizart Bolonhezi, Everton Luis Finoto, Márcio Akira Ito, Débora Marcondes Bastos Pereira Milori, Wilson Tadeu Lopes da Silva, Marcelo Simões .

Seleção profissional: Técnico-Educador Agroecológico - Embu

Processo de Seleção – Técnico-Educador Agroecológico

A SEAE - Sociedade Ecológica Amigos de Embu - está admitindo profissional para atuar no município de Embu das Artes como Técnico-educador Agroecológico para projeto em agricultura urbana. A Sociedade Ecológica é uma organização não governamental, criada em 1972, e desde então é reconhecida em âmbito nacional, por suas lutas e conquistas ambientais no município de Embu e região. Nos últimos anos a ONG tem focado suas ações para projetos sócio-ambientais, realizando parcerias com a sociedade civil, o poder público e privado.

O projeto compreende uma série de atividades tendo como foco a capacitação de comunidades e implantação de sistemas produtivos agroecológicos comunitários gerando sustentabilidade e autonomia. O projeto visa outras ações nas áreas de educação, saúde, valorização cultural e políticas públicas.

Responsabilidades:
- Articulação, sensibilização e mobilização em comunidades;
- Planejamento participativo e organização de capacitações, dias de campo, encontros de intercâmbio;
- Mediação de encontros teórico-práticos nas comunidades;
- Participação em reuniões de conselhos gestores e em outros aparelhos públicos;
- Planejamento participativo de sistemas produtivos comunitários;
- Sistematização de ações específicas através de relatórios físicos;
- Realização de visitas técnicas para acompanhamento de sistemas produtivos comunitários, em órgãos públicos, instituições privadas, e em quintais residenciais;
- Elaboração de material didático e relatórios físicos oficiais;
- Participação em treinamentos e cursos;
- Apoio geral nas atividades da equipe e elaboração de projetos.

Qualificações desejadas:
- Nível superior em agronomia, biologia, engenharia florestal, geografia, gestão ambiental, economia, sociologia, pedagogia, ecologia ou áreas afins com o perfil desejado;
- Experiência teórica e prática em agricultura urbana, agroecologia, agricultura orgânica, permacultura, agricultura biodinâmica, sistemas agroflorestais, plantas medicinais, educação popular, educação ambiental;
- Conhecimentos em metodologias participativas, economia solidária, autogestão, trabalho em redes, incubação de empreendimentos, beneficiamento, processamento e comercializaçã o de produtos;
- Boa comunicação em público e habilidade para redação;
- Mediação de conflitos e trabalho com comunidades urbanas e peri-urbanas;
- Carteira de Habilitação de motorista válida em território nacional;
- Domínio de ferramentas de informática;
- Disponibilidade para residir em Embu ou região próxima;
- Mínimo de UM ANO (12 meses) com experiência na área.

Condições de trabalho:
- RPA (Registro de Pagamento Autônomo) ou firma aberta;
- Carga horária: 40 horas semanais;
- Duração inicial: um ano e meio (18 meses), renovável em caso de disponibilidade de recursos;
- Remuneração: R$ 1.743,00.

Processo de seleção:
Os candidatos devem enviar currículo e carta de apresentação com resumo das atuações profissionais nas áreas desejadas e justificativa de interesse pelo cargo.
Há necessidade de disponibilidade de atuação para contratação imediata.
Os pré-selecionados serão convocados para entrevista em Embu das Artes–SP.
Os candidatos selecionados pós-entrevistas devem ter disponibilidade para uma vivência prática de quatro (4) dias para avaliação em campo.

Currículos sem carta de interesse ou que não atendam às qualificações necessárias não serão considerados.

Somente os candidatos selecionados serão contatados pela SEAE. Os currículos que não receberem nenhum contato da SEAE até o dia 17/05/2010 serão arquivados para um novo processo de seleção.

Aldo Rebelo, deixe as florestas em paz


Mais uma vez, o Código Florestal, corpo de leis que protege as florestas brasileiras desde 1934, está ameaçado.

Assine aqui a petição para não permitir que a bancada da motosserra desfigure nosso Código Florestal.

O deputado Aldo Rebelo irá apresentar em breve um documento com as propostas de alteração dessa lei. E tudo indica que elas vão anistiar desmatadores e flexibilizar a proteção de nossas matas.

Proteste contra mais essa tentativa de acabar com as florestas no Brasil.

Há mais de dez anos, representantes da bancada ruralista deram partida numa ofensiva para mudar o Código Florestal em seu próprio benefício. A preservaçao das florestas é fundamental não só para a manutenção da biodiversidade, mas para equilibrar o clima no Brasil e no resto do planeta. Diante das chuvas torrenciais que provocaram deslizamentos e mortes no Rio de Janeiro, e que tendem a se tornar cada vez mais frequentes, a tarefa de resguardar o que resta de nossas matas é cada vez mais urgente.

Aldo Rebelo já deu indicações que está ao lado dos ruralistas que querem cada vez mais empurrar a agricultura e a pecuária para dentro da Amazônia e para o que sobrou de vegetação nativa em outros biomas brasileiros.

Mande um e-mail para o Aldo Rebelo dizendo que a questão é relevante demais para ser decidida apenas por meia dúzia de deputados em um ano de eleições. O assunto precisa ser debatido por todos os brasileiros e, portanto, o mínimo que se espera de nossos representantes no Congresso é que, ao invés de mexerem em legislação tão fundamental no fim de seus mandatos, tenham a coragem de levar o assunto para a campanha eleitoral.

Ajude a impedir que as nossas florestas continuem a ser devastadas. Assine aqui.